Histórico
O censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/ 2010) revela que há no Brasil, aproximadamente, 45,6 milhões de pessoas com deficiência, o que corresponde a 23,9% da população. Destes, 21,3% apresentam deficiência auditiva, ou seja, existem no Brasil 9.722.163 (nove milhões setecentos e setenta e dois mil cento e sessenta e três) pessoas com surdez. Levando-se em conta o crescimento anual da população, teríamos, a cada ano, no Brasil, aproximadamente 93.295 (noventa e três mil duzentas e noventa e cinco) crianças com surdez (CHAVEIRO, BARBOSA, PORTO, 2008). Logo, em algum momento de sua vida profissional, o médico e outros profissionais da saúde deparar-se-ão com pacientes com surdez falantes da Língua de Sinais – os surdos – e, também, com aqueles pacientes com surdez não falantes de Língua de Sinais – as pessoas com deficiência auditiva.
A necessidade de aprimorar a comunicação entre o profissional da saúde e as pessoas com surdez (surdos falantes de Língua de Sinais e pessoas com deficiência auditiva não falantes de Língua de Sinais) tem sido notada pela comunidade em geral, inclusive pelos políticos. De acordo com o capítulo VII do Decreto de Lei nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005 (BRASIL, 2005), que trata da “garantia do direito à saúde das pessoas Surdas ou com deficiência auditiva”, é determinado que, a partir de 2006, o atendimento às pessoas Surdas ou com deficiência auditiva na rede de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), bem como nas empresas que detêm concessão ou permissão de serviços públicos de assistência à saúde, seja realizado por profissionais capacitados para o uso de Língua de Sinais Brasileira (Libras) ou para a tradução e interpretação Libras-Português (IANNI, PEREIRA, 2009)
Diante deste panorama, surgiu a ideia de trazer, para a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o projeto “Libras em Saúde: acessibilidade no atendimento clínico” – idealizado pela organização brasileira de estudantes de medicina denominada IFMSA-Brazil (International Federation of Medical Students Association’s of Brazil) – um curso de língua de sinais brasileira para acadêmicos de medicina. Iniciado no segundo semestre do ano de 2011, em parceria com o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação e Diversidade (NEPED) da Faculdade de Educação, com a Faculdade de Medicina e o Comitê Local da IFMSA-Brazil, o curso de extensão contou com a participação de 53 acadêmicos, predominantemente do curso de Medicina, e foi ministrado por dois professores surdos, Daniel Moraes de Souza e Lucas Vargas Machado da Costa.
Diante do sucesso do primeiro curso, surgiu a vontade de ampliar as nossas ações, e a partir de então o curso transformou-se no Projeto de Extensão “Libras e Saúde: acessibilidade no atendimento clínico”, ampliando a proposta e as ações desenvolvidas. Com essa trajetória, o curso tornou-se uma das vertentes do projeto.
No ano de 2014, com a ida do professor Carlos Rodrigues para a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), surgiu a possibilidade de se ampliar o projeto e, dessa forma, aumentar o seu poder de alcance e suas realizações. Logo, o projeto ganhou o caráter de interinstitucional, passando a ser desenvolvida em ambas as instituições.